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Os Nossos Cereais

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   Os Nossos Cereais

 

Os cereais (de Ceres=Demeter, deusa grega) são os principais componentes de nossa alimentação. Não existe refeição sem cereal, tanto assim que o pão se tornou o alimento mais importante da civilização ocidental.

        Todos os nossos cereais pertencem às famílias das Gramíneas. As Gramíneas são monocotiledôneas, das quais existem, pelo menos 4.000 espécies, formando verdadeiros tapetes pela terra, tornando-a um astro verde coberto de prados. Esses prados verdes, onde crescem as Gramíneas, são lugares de muita luz, umidade e brisas. A terra é permeada intensamente pelas raízes das Gramíneas, de modo que a planta se une firmemente com o elemento mineral. A tendência das Gramíneas é de se expandir horizontalmente, fechando qualquer pedaço de terra descoberto. Por outro lado há também um intenso impulso vertical que ergue a haste. A folha se desprende dificilmente sobre a haste, formando uma bainha longa e nós. As hastes são como raios de luz condensados, duros, resistentes às tempestades e ao vento, lembrando a força de ereção do ser humano, tudo graças ao seu alto teor de silício (quartzo), o portador de luz entre os minerais. Na parte terminal da haste estão as espigas. As flores das Gramíneas, insignificantes, são expostas ao vento, que leva o pólen para frutificar os cálices. Se a flor isoladamente dispensa a cor, o conjunto delas dá a coloração rósea violácea de perfumes amenos.

         Toda a planta concentra-se na formação do alimento, tanto para os animais como para o homem. Se as Gramíneas tivessem flores como as rosas ou cravos, com certeza não teriam a força de dar o grão para o nosso pão, e indiretamente o leite (através do gado).

         Dessas Gramíneas, através de cultivos (iniciados na época persa), derivam os nossos cereais. Os cereais têm a peculiaridade de não dispersar suas sementes (como as outras Gramíneas), mas de mantê-las unidas em forma de espigas. Essas espigas são sustentadas pela planta, tal qual uma coroa real. Para manter este equilíbrio dinâmico, o enraizamento da planta é intenso. Certas variedades atingem uma profundidade de 1 a 2 m. Sua extensão, contando as finas radículas pode atingir 2 km de comprimento. Através da raiz, a planta está intensamente ligada ao solo mineral.

         Como em todas as Gramíneas, haste e folhas se formam pela luz. Pela fotossíntese formam-se os hidratos de carbono e, de acordo com a tonalidade azulada do verde, possível saber que se no cultivo foram usados nitritos na adubação (quanto mais azulado mais nitrito) com relação à haste dos cereais, diz Rudolf Steiner: “Ela é a continuidade dos raios solares indo em direção ao centro da Terra”. Essa de ereção tem ligação direta a do ser humano, expressão do Eu. O cereal ajuda o ser humano a erguer-se e adquirir a posição vertical, sendo, portanto seu principal alimento.

         Após a floração toda a planta vai adquirindo a coloração amarela. De acordo com o tipo de cereal, o tempo de amadurecimento é mais ou menos longo, alguns necessitando de mais calor que outros. A cevada leva 110 dias para amadurecer, o milho 120, a aveia 130, o centeio 310 e o trigo 320 dias. Com a maturação da semente que é portadora de toda a luz condensada, as raízes se atrofiam, a ligação com a terra afrouxa, e a haste e as folhas murcham, estando o grão maduro para o corte. A palha é igualmente aproveitada para a confecção de enfeites e esteiras ou para forrar estábulos, também tem coloração intensamente dourada.

          Os cereais fazem a perfeita síntese dos hidratos de carbono; o açúcar que flui para o grão é transformado em amido; algumas Gramíneas têm este processo interrompido, como por exemplo, a cana-de-açúcar, que é inteiramente doce.

         Para os povos antigos, os atos de semear e colher os cereais eram acompanhados de rituais sagrados – os grãos eram o presente de Deus-Pai e da Mãe-Terra. De fato as Gramíneas são as plantas em que as forças da terra e do sol estão em equilíbrio. Os persas, os primeiros cultivadores de trigo, usavam o arado, e arando a terra, levavam luz solar para dentro dela e em seguida semeavam o grão. No outono, toda a luz se condensa no grão. Também as ofertas para Demeter eram espigas maduras de cereais.

         Alem do amido dos grãos, no processo de amadurecimento, formam-se ricas proteínas vegetais, especialmente abaixo da cutícula, e se soubermos usar os grãos de forma a não desnaturá-los pelo tratamento, então teremos como alimento a fonte mais rica em hidratos de carbono, proteínas, vitaminas e sais minerais, em equilíbrio e permeados de forças solares.

 

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